A Ex-Governadora do Texas na Broadway: crítica da peça “Ann”

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"Ann"02“Ann” – escrito e estreado pela veterana dos palcos, cinema e TV Holland Taylor, é um monólogo feminino sobre a vida da ex-governadora do Texas (e furacão político de saias) Ann Richards, desde a sua infância na época da Depressão até seu recente emprego como uma conceituada consultora em Nova York – um trabalho que ela planejava começar – revela-nos perto do final da peça – no “dia de todos os dias” – 11/09/2001.

O cenário, ao menos no início, é simples: um púlpito de madeira comum em um palco quase nu, a partir do qual ela está pronunciando  um discurso de formatura.

Após uma série de projeções de grandes fotografias ao fundo representando suas profundas raízes texanas (uma quinta isolada, um posto de gasolina à moda antiga) o cenário se metamorfoseia em seu escritório na capital do estado do Texas, onde, através de uma série de telefonemas de/e para sócios, filhos, e até mesmo o presidente Clinton, (um antigo partidário), vemos surgir a áspera e cabeça-dura governadora do Texas. (O quanto ela era difícil? Uma citação: “Ann Richards atravessou o fogo … e o fogo se apagou.” Isso é que é ser durona).

Taylor está soberba, num desempenho que é um verdadeiro tour de force (e com um sotaque texano não menos que convincente), enquanto compartilha os altos e baixos da vida de Richards – que, apesar dos sucessos célebres da mulher, também incluiu o alcoolismo, um divórcio, e finalmente, câncer.

A peça funciona melhor, e Taylor é encantadora, quando fala diretamente ao público – compartilhando anedotas, contando piadas, e soltando indiretas.

Uma atriz fantástica com pleno domínio de um espantoso repertório técnico; ela interpreta Richards parte como narradora, parte stand-up, and part no-holds-barred, boys-club-be-damned power broker.

Ann01CRITICA DE TEATRO por Stuart R. Brynien, Nova York

TRADUÇAO por Tony Giusti, São Paulo